Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

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Em Junho de 2006 escrevi esta carta ao Bastonario da Ordem dos Médicos. A sua resposta foi formal e depois disso muita àgua passou por baixo da ponte. Fui apodado de louco, perseguido vilmente e ainda não obtive uma resposta cabal às questões que petinentemente coloquei. Creio não faltar à palavra publicando a referida carta. Para que fique claro.
Caro colega Dr. Pedro Nunes
 
 
 
 
Na impossibilidade de nos encontrarmos tomei a decisão de lhe escrever esta carta. Não a darei a conhecer. Fica entre nós. Somente a tornarei pública se dela aparecerem excertos que deturpem o sentido geral da mesma. É uma carta de colega para colega mas também uma carta de cidadão para cidadão ou de homem para homem. Como preferir.
Há quase três anos, ao mesmo tempo que o colega se inteirava da situação dos colegas nas Ilhas, Julho de 2003, eu era acusado na TV nacional e regional, em três dias seguidos e com honra de quase abertura,   de ser qualquer coisa como pedófilo. Estava na moda.
Fiquei atónito à espera de ser preso mais dia menos dia. Mas não. Em Setembro do mesmo ano, com a ajuda de um amigo, Professor Adriano Vaz Serra que não acreditou naquela montagem, até levei a bom termo um pequeno congresso nos Açores.
Mas em Março de 2004, na sequência das notícias da tv foi-me instaurado um processo disciplinar pela Ordem dos Médicos, a que respondi a aguardo serenamente o resultado.
Somente em Novembro de 2005 é que fui ouvido pela PSP em inquérito de âmbito geral sobre os factos do Lar Santa Maria Goretti.
A partir de Janeiro de 2006 assumo que passei ao ataque, quero limpar o meu nome e o castigo dos que montaram tal encenação. A partir dessa data, e com mais agressividade a partir do dia 25 de Abril com o blog cartaberta.blogs.sapo.pt. de que o colega deve ter conhecimento. Leia com calma e releia o que escrevi. ( Só lê bem quem relê. )
Por esse facto fui demitido da chefia do serviço de psiquiatria e mais tarde, a semana passada, proibido de fazer bancos. A demissão do serviço ainda provocou tomada de posição de deputado da assembleia regional. Mesmo primeira página de jornal diário da Terceira A União. Escrevi o último blog, onde fui indelicado para consigo, e vim para Lisboa para congresso onde me encontro.
Procurei-o na sede da Ordem e fiz um pouco de cena controlada porque na verdade me encontrava revoltado e por algum divertimento. Sou assim, perdoe-me mas sou assim. Eu mandara fax, eu telefonei durante a semana anterior algumas vezes, etc.. Provavelmente assustei as suas secretárias e o colega que já devia ter os ouvidos cheios da minha pessoa com conversas do Dr. António Reis Marques ou arredores.
Não tenha medo de mim, caro colega. Não o incomodei quando a tv pedia a minha cabeça ou quando me foi instaurado um processo disciplinar. Agora o que está em causa é bem diferente, Dr. Pedro Nunes.
 Vá a Angra e fale com a população, não procure médicos e colegas, fale com o povo antes de falar com colegas. Pergunte por mim e pelo hospital, fale de coração para coração, que anda preocupado, confuso, o que é que se passa? Vá à biblioteca e leia os jornais da terra dos últimos meses onde encontrará uma manif junto do hospital, ordeira mas de revolta contra a negligência médica.
Pergunte que história é essa dos médicos terem duas caras, uma para a classe média e outra para o povo, de recusarem a ir ao hospital ou irem demasiado tarde. Pergunte se há medo, se a população tem algum medo em falar porque receia retaliações por parte de alguns médicos. Peça nomes, não tenha medo, o senhor é o mais alto representante da classe, pode fazer algo, pode puxar orelhas sem qualquer processo disciplinar como aquele que me moveram com o seu conhecimento e penso que assinatura.
Se o desejar estou disponível, segundo a minha agenda. Podemos mesmo jantar pois vivo somente na companhia da minha filha alguns dias por semana. Janta-se em minha casa, gosto de cozinhar peixe, adoro música barroca e algum jazz. Vamos falar despreocupadamente da minha loucura, violência, agressividade, etc. E também do que penso da saúde, do país, etc. Vamos conhecer um pouco os nossos corações, jogo aberto, despreocupação, telefone desligado, e mais um pouco de peixe. O vinho fica a seu cargo.
E eu vou perguntar como é que a Ordem envia um colega nosso ( Dr. Rocha Almeida) para falar comigo que “deu a entender” ( segundo palavras da enfermeira chefe ) que vinha pela Ordem e que me chamam à administração para o facto. Se calhar é legal ou regulamentar, não me admirava.
 E falar com o coração das Casas de Saúde em saúde mental e da irregularidade desde o início da Dra Margarida Moniz à frente da direcção clínica de uma delas e eu sem protestar durante anos a fio, sem me importar com o facto. E dos negócios do Dr. Luís Patrício com a Secretaria Regional. ( E o homem até tem algumas qualidades como médico e reconheço que aprendi bastante com ele. É um actor nato.) E do meu tempo de Coimbra e como conheço um pouco o meio e muito bem o Dr. Reis Marques que de psiquiatra já teve melhores dias, e outros como ele. Onde não abundam ideias mas muita estratégia, má língua (“conheço-o perfeitamente, trabalhou comigo”), e vida privada à mistura, e cinismo para dar e vender. E são assim e sempre serão.
Pobre país que quase é governado da Praça da República de uma cidade provinciana, Coimbra e suas ramificações, muito contente consigo. Lamento profundamente ter lá uma filha a estudar pois já apanhou os tiques de que vai levar anos a libertar-se. Se tiver coragem.
Não pretendo ser o Vasco Pulido Valente da saúde apesar de admirar o homem e de assumir que o imito um pouco. Gostava mais de Vítor Cunha Rego, mas VPV ainda acorda o país de vez em quando, e isso é bom. Tenho perfeita consciência em ser louco e arriscar a minha vida em dizer umas verdades um pouco como aquela criança que disse que o rei ia nu. Sou assim e sempre serei, caro colega. Ainda há dois dias em conversa com grande amiga dos tempos da periferia, Drª Teresa Vasconcelos Hart, a quem contei tudo, e a quem li o primeiro e último blog, ela dizia que eu que eu continuava na mesma, louco de todo. E sabe uma coisa colega, isso deu-me conforto, fiquei satisfeito comigo, acho que isso significa que não traí no essencial.
Deus me acompanhe, me continue a acompanhar. Porque tem sido Ele o meu refúgio e a minha rocha. Sem amigos por perto, com familiares afastados, eu tenho recebido palavras reconfortantes ditas a medo pela população. E vou continuar assim porque não sou capaz de trair no essencial traindo aquela gente. A nobre profissão que abracei sem juramento ( procuro fazê-lo no dia a dia contra a corrente), deu-me as maiores alegrias e tristezas desta vida. E se por qualquer motivo for afastado lutarei até ao fim para recuperar o meu pão e o meu modo de ser solidário com os simples e os sem voz. Sabe porque na verdade os prefiro? Porque são, ou me parecem ser, menos mentirosos.
José Nobre Madeira
música: Forever Young, Dylan Forever Doctor
sinto-me: Portuga
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

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Ontem telefonei para Hospital a perguntar se havia atraso no pagamento do vencimento. Informaram-me, no Serviço de Pessoal, de que me tinham suspendido o vencimento por faltas e ter faltado a Junta Médica. Ora acontece que não fui convocado para nenhuma junta médica e em Setembro informei que a minha direcção, desde 1999, era rua Tenente Coronel José Agostinho, 18, 1º dto, 9700 Angra do Heroísmo.
Não estou a morrer de fome nem morrerei disso porque tenho amealhado o suficiente para viver durante anos. E gosto de trabalhar. Mas creio bem ser ilegal tal atitude.
Por outro lado, em conversa com a Sra Francelina, fiquei com a ideia de que ainda há pessoas em Angra do Heroísmo que ainda pensam que regressarei ao Hospital do Espírito Santo de Angra do Heroísmo para assumir as minhas funções de Chefe de Serviço de Psiquiatria no quadro do referido Hospital. Puro engano.
Lamento muito mas não existem as condições mínimas para fazer um trabalho regular e sem entraves. Para além do mais não esqueço nem esquecerei que no dia 25 de Abril de 2006 quase morreu um jovem na Ilha Terceira que foi intoxicado com metadona com o intuito de me incriminarem. Nesse dia a Dra Olga Freitas até se mostrou muito interessada e foi-se informar junto dos elementos de enfermagem do Serviço de Psiquiatria do que se teria passado. Nenhum mal há nessa atitude louvável porque há elementos de enfermagem responsáveis no referido serviço. Mas nada me perguntou nem verbalmente nem por escrito. No mínimo estranho.
Na verdade, não tenho dúvidas, o Hospital está a ser largamente comandado por pessoas estranhas aos serviços de saúde e ao Hospital, comandado por pessoas como o Dr. Joaquim Ponte. Que sabe tudo o que se passava e passa no Serviço de Psiquiatria porque um elemento de enfermagem, a Senhora Enfermeira São Braga, irresponsável e sem o mínimo de ética, tudo lhe contava e conta com intuitos inconfessáveis. Portugal está assim, pelo menos nos Açores está.
Basta este episódio criminoso para jamais voltar a trabalhar no Hospital que servi durante quase vinte anos. E não tenho vergonha do trabalho que realizei. Ser apunhalado nas costas é coisa que dói e não tolero. E pode morrer gente por minha causa.
Estou certo de que a actual Administrção encontrará a melhor solução para satisfazer cabalmente a sua irresponsabilidade. E a Dra Margarida Moniz pode preparar o seu curriculum vitae porque o lugar de Chefe de Serviço está à sua espera.
Desta vez não necessita de fazer corpo com grupo de amigos e mais uma vez tentar incriminar-me. Criminosa é a senhora e os seus amigos. O lugar será certamente seu mas prepare advogado para a defender junto da Ordem dos Médicos e da Justiça Portuguesa. E não tenha medo em tratar gente do Bangladesh.
 
Tenho pena de deixar de servir doentes que segui durante anos e de deixar de privar com alguns colegas e elementos de enfermagem, como as pessoas da Escola Clinica da Quarta-feira, em particular os elementos de enfermagem, pessoal auxiliar o Dr Oscar e o Artur.
Tudo aconteceu porque um grupo de gente corajosa fez uma manifestação contra a negligência médica em Abril de 2006. E penso que motivos ainda haverá para que esse tipo de demontrações cívicas voltem a ocorrer para terror dos irresponsáveis. Portugal precisa de ter vergonha na cara e ele vai havendo gente tesa.
 
Aproveito para me despedir de todos os que segui ao longo de quase vinte anos. A minha vida vai mudar e jamais esquecerei o quanto aprendi com as vossas histórias clínicas que são também histórias de vidas. Muitas delas vidas corajosas e anónimas que registei na memória e no coração. Jamais esquecerei o povo das Ilhas Terceira, Graciosa, S. Jorge, Faial, Pico e Corvo. Acreditem. Gente boa e simples que me ajudou muito a crescer e a amar a minha profissão fazendo de mim um homem. Malta do Faial como a família Dutra, o Helder que me mandou as Boas Festas do Pico, a Ilda das Manadas, a Teresinha do Menino Jesus da Terceira, o senhor Pamplona que fugia da Casa de Saúde de São Rafael para comprar flores para a minha mãe e minha sogra, aquela moça acamada da Brasileira na Graciosa, o Dr. Vasco e esposa que sempre me receberam com alegria e gentileza, o Tomaz da Galiza que me deu um livro do nosso Manuel Maria, a família do João Silveira de Ponta Delgada das Flores, o José Fernando Lopes também das Flores, a Fátima do Corvo que me foi mostrar o Império da sua Ilha pelas festas da Nossa Senhora dos Milagres. A malta da heroa e da coca que tantas alegrias me deu com alguma facadas nas costas à mistura. O Francesco que me ensinou italiano, aquele recluso que como casa só tinha a prisão e pedia com um sorriso algum ao padrinho para comprar uns cigarros, aquela moça que tentava endireitar a vida e escrevia poesia ( e se quiseres vou ser o teu padrinho como prometi ), os irmãos Brasil, qual deles o mais pirata, o Fábio que foi o único que foi almoçar comigo e o Padre Carlos no dia 25 de Abril de 2006. E muita mais gente que guardo no coração para sempre e que e um dia irei visitar como amigo. Até um dia destes.
 
 
Jose Nobre Madeira
sinto-me: Fixolas
música: You Are The Top, Cole Porter cantada por L. Amstrong
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Domingo, 28 de Janeiro de 2007

A Caminho de Portugal com Boas Leituras

A caminho de Portugal, incluindo Açores.
Montes de leituras, como se não fosse eu, o quase viciado em livros. Actuais leituras : Autobiografia de Bob Dylan ( Chronicles Vol  I ; Simon & Schuster paperbacks, 2005 ) e Une Sorte de Diable – Les vies de John M. Keynes, escrito belissimamente por Alain Minc ( Bernard Grasset, Paris 2006 ).
Não sou economista mas da para perceber quase tudo incluindo que o tão badalado economista que dizem ser o Professor Cavaco Silva não passa de uma gragalhada comparado com este algo misterioso Keynes. Dupla vida ( muito mais comum do que se pensa ), quase dupla personalidade ( não tão raro como isso ), estudante quase genial, brilhante teorico e ainda uma das principais referencias para economistas e politicos nos dias de hoje.
Keynes escreve por vezes muito bem e é muito responsavel nos momentos dificeis esquecendo a sua por vezes galopante homossexualidade, os amigos da boémia ( V. Wolf, por exemplo ) a familia bem mas asfixiante. Foi em 1911 que fez a entrada triunfal na Historia.
Reflectindo sobre as finanças da India diz ele que as medidas adoptadas na India serão as medidas a adoptar , “a moeda ideal do futuro” sendo as moedas definidas em relacção a uma outra ( o dollar ) que é a unica a ser definida pelo seu valor em ouro e a ser convertida junto do seu Banco Central, em ouro. Pode dizer-se que a economia mundial se servia do ouro americano? Parece-me bem que sim. Pois se assim é não me venham com a conversa do eterno imperialismo americano. Chamou ao ouro essa reliquia barbara. Esctreveu ainda que mestre em economia deve possuir uma rara combinação de capacidades, dons…Deve ser matamatico, historiador, homem de Estado, e filosofo até um certo ponto. Deve compreender os simbolos e falar em palavras. Deve observar o particular em termos gerais e tocar o abstracto e o concreto no mesmo voo de pensamento. Ele deve estudar o presente com a luz do passado a pensar no futuro. (Pag 74, linha 6 e seguintes. ) Para ele a economia é uma disciplina onde a teoria e os factos, a imaginação intuitiva e o julgamento pratico se associam confortavelmente com a intelig^encia humana. ( Pag. 73, linha 6 a contar da ultima para a primeira, de cima para baixo, portanto ).
A economia não é tão dificil como isso.
Razão tinha Vitor Cunha Rego quando se referia ao Professor
Cavaco Silva:Fraquissimo economista e quando as coisas aquecem foge.
Ja o fez e é provavel que volte e repetir a cena. Reeleito é que não vai ser.
 
Quanto a Dylan so digo que é muito melhor do que alguma vez pensei. A sua escrita é uma delicia assim como as pesso      as que descreve com uma pequena frase, as pequenas historias que vai contando, o humor. Sem o minimo sinal de arrogancia, com uma boa disposição invejavel, parece que tudo sai bem deste bardo ou aedo, como preferirem. Dylan é na verdade unico, genial é dizer pouco.
 
Ainda quanto a Obama vale mesmo a pena ler o livro. Não admira que seja o livro mais vendido em Nova Iorque, pelo menos é o que diz o I Herald Tribune, que eu não gosto de menti, faz-me azia.
 
Ler varios livros ao mesmo tempo faz bem, exercita os neuronios.
 
Adeusinho que me esperam os livros e alguma namoradas castas ( e eu com elas ), porque pedi em casamento uma mulher do Utah. Não sou parvo..., não desfazendo das portuguesas, note-se. Que as ha santas e sérias.
 
 
José Nobre Madeira/Orlando Dupré
 
 
St Jean de Luz, talvez a caminho de Portugal
música: Magical Mistery Tour, The Beatles
sinto-me: Professor diletante e ambulant
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

Leituras e Musicas

Leituras desta vez livro trazido dos States: The Audacity of Hope de Barack Obama. Este jovem senador que teve uma intervenção notavel em 2004 no Convenção Democratica é um forte candidato a representar os democratas na corrida presidencial de 2008. Ainda no inicio mas posso dizer que o livro é ja notavel. Pelo que li é o livro mais vendido actualmente nos USA. A escrita, as ideias e o calor e ao mesmo tempo a frieza com que pensa são coisa rara na politica mundial. Este democrata americano vai voar alto, ja esta a voar alto porque merece, tem alma e coração a transbordar e a cabeça bem arrumada. Desejo-lhe boa sorte e que continue igual a si mesmo. Excelente livro.

Fantasia. Jovem cantora americana que ganhou concurso de amadores e teve entrevista com Larry King ha poucos dias. Bom disco que peca por não ser deixada so a cantar, demasidos coros e orquestração a querer agradar a todos. Mas a sua voz e soul são raros, ou me engano ou temos aqui a Aretha do seculo XXI.

Ouvindo Dylan. Bob Dylan sempre ocupou lugar à parte no meus idolos dos anos sessenta. Tinha um poster dele em casa dos meus pais, poster enorme. Dylan era diferente, a musica era boa, a voz péssima, a interpretação unica. Alguma letras ficaram como lema para futuro, o nosso americano era pobre mas deu para perceber: Blowing the Wind, The Times They Are ...., Forever Young. Dylan era um profeta e guru, aquilo era tambem connosco. Não critiques o que não compreendes, se viveres em verdade talvez permaneças sempre jovem, a resposta vem com o vento, os vossos filhos e filhas estão foram de do vosso controle, os tempos estão a mudar, etc. Dylan é o poeta do futuro, o bardo ou aedo que entrava em nossa casa pela radio ou gira discos e nos tirava do sono, nos alertava dos tempos a vir, se ria, nos acordava com voz rouca e um pouco desafinada. Acorda meu, vem ai novo tempo, estar acordado!

So muito mais tarde dei pela violencia de Like a Rolling Stone e de outras, da poesia descarnada e ao mesmo tempo terna deste poeta que é poeta quase sem querer, naturalmente. Um moço de discoteca em Salt Lake dizia-me que o ultimo disco era genial. Eu comprei o disco e perguntei-lhe o que é que Dylan tinha de especial. Era ou não Dylan o Poeta da USA? Ele concordou, Dylan é o poeta do passado, do presente e do futuro da USA e de um bom pedaço de todos nos.

Um tipo ligado à musica disse esta muito engraçada: enquanto o Espitito Santo inspira artistas gentilmente tocando-lhes no ombro com Dylan parece que lhe deu um pontapé no cu. Tudo o que sai da sua mão é muito bom, inspiração de primeira. E a voz desafinada canta como mais ninguem cantou ou cantara; toda a América. Eu sou um compositor americano, disse em Londres sem arrogancia; Eu não me importo que me deem um tiro, mas não me avisem, cos diabos! Aceito este prémio mas tambem estou com os soldados da Baia dos Porcos porque são americanos jovens como eu e leva uma data de tempo a ser jovem. Esteve com M Luther King. Não alinhou na campanha contra a guerra do Vietnam. Amigo de todos sem nunca perder a sua voz. Porque é que Peter Seeger quis cortar os fios do microfonr, Peter é um tipo que eu admiro. Visitou o mitico cantor folk no hospital de doentes mentais. Amou Joan Baez mas não a deixava cantar regularmente com ele: Não se é sabio quando se esta apaixonado, disse. Foi tocar a Dallas pouco tempo depois de Kennedy ter sido assassinado. Dylan ama a USA e canta-a toda, sem partilha, sem esquerda ou direita, sul ou norte, branca ou negra ou latina. Dylan não se põe em bico de pés, nunca. So quer cantar a Usa e acaba por cantar boa parte da humanidade. Deixem-me cantar tenho aqui uma coisa nova. Joan, esta canção ( Love Is a Four Letter Word ), tem piada, quem a escreveu? Foste tu, tonto estupido!

Dylan ocupa um lugar separado de todos os outros herois da minha vida. Somente Camus se lhe assemelha, mas não muito. Porque Dylan é como o irmão mais velho e pai ao mesmo tempo. O tipo super fixolas com quem nos identificamos quase sem querer, o tipo de quem pensamos: ai que me dera ser um pouco parecido, quem me dera fazer algo, de o acompanhar pelo mundo nem que fosse para tomar conta da sua guitarra e lhe engraxar as botas.

Sempre jovem perto dele e das namoradas.

Leitura de Fernando Pessoa, dois artigos sobre o provincianismo. Cinco estrelas. Portugal esta a tornar-se o pais mais provinciano da Europa, se é que ja não é.... De meter do. Governados largamente por criminosos, ladrões, traficantes de droga, maçonaria degradada, gente tonta e amaricada. Portugal resvala para o caos alegre da irresponsabilidade com as muletas da CEE e Espanha.

Quem nos dera ser governados por gente homossexual mas tesa, sem complexos, ladrões a sério, que roubassem milhões mas tambem governassem bem, gente com, alguma vergonha e coragem. Mas não, Portugal é um pais parado no tempo, encharcado de heroina e pedrado até meter do. E o Dr Mario Soares tem algumas culpas no estado da nação.

Lanço daqui um apelo, volte para a grande politica nacional: conspire para um futuro congresso do PS. Não queira impor o seu filho, va buscar Antonio Barreto, por exemplo. Encarregue V P Valente de demolir a imagem de Socrates e Cavaco. Um taxista aqui em Paris chamou a um deles Piu Piu Falinhas Mansas. Ja temos alcunha, a ver se ele não chora com a graça.... (Tadinho....)

Portugal, é a Hora ! ! !

 

José Nobre Madeira

música: Forever Young, Dylan
sinto-me: Jovem, sempre
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

QUE VIVA PARIS !!!

Que viva Paris com as suas lojas acessiveis a pé, em que ja conhecemos as pessoas, as padarias, os pequenos restaurantes, malta de todas as etnias, os queijos, o metro, as pessoas com a sua baguette debaixo do braço, as mulheres bonitas, o café da rua onde tomamos café é jogamos o loto, as mercearias de malta tunisina, a feira às terças e quintas na rua Convention, etc., etc., etc.. Viva o XV, que tem tanta população como Bordéus.

Està mais frio, mudança de clima. Na California nevou e por este andar qualquer dia vamos passar o Verão nas praias da Sibéria. Esta mudança não tem so a ver com a poluição, tem a ver com os campos magnéticos. As bussolas estão lentas, as pombas chochas quase se deixam apanhar à mão. A mais impressionante que li ultimamante foi a de que o sol ja se levantou a oeste. Que ha registos historicos do facto. Assim como bruscas alterações climàticas que deu para encontrar mamutes congelados na Sibéria cuja carne se podia comer e cujo est^omago continha alimentos. Então? Então temos mudança de clima por varios factores sendo um dos quais factores que não compreendemos muito bem. Se o eixo da terra mudar a Sibéria descongela e mesmo que isso aconteça lentamente, deve dar para aumento do nivel das aguas dos mares. Dà que pensar. A minha bussola esta lenta e parece-me não apontar exactamente o norte megnético. Mas quem deva estudar que estude.

Abbé Pierre faleceu, Le Petit Père des Pauvres, como aqui era conhecido. Impressionante unanimidade nos comentarios de todos os quadrantes da França, mas mesmo de todos, de todas as religiões. Uma unanimidade destas é rara, deve tratar-se de um santo dos grandes. E  por ir, provavelmente, baptizar-me na Igreja de Jesus Cristo dos Ultimos Dias não é por isso que deixo de sentir alegria por haver gente desta na Igreja Catolica. Deviam mas era estar no lugar dos Bispos que brincam criminosamente com a politica, como acontece em Angra do Heroismo. Mas não vale a pena continuar com este assunto porque tudo esta satisfeito e tudo esta bem no reino da Dinamarca.

Chegado a Paris apeteceu-me rever um filme bom, mesmo muito bom: Morangos Silvestres de Ingmar Bergman. Visto em 1973 em Coimbra numa sessão classica do Teatro Avenida promovida pelo Cineclube Catolico. ( Estava la a Branca, colega de curso e eu apaixonado por ela ). Agora com o DVD é simples e vi mesmo, ai pela quarta vez. Somos muitas vezes injustos. este filme é seguramente obra prima maior. E em tudo, no simbolismo, no script, nos actores, nos detalhes, nos dialogos, no conjunto. Como é que foi posivel fazer uma obra destas, com uma paixão meticulosa e algo fria mas genial. Daqui a dois ou tres ou cinco anos reve-se e esta fresca, notamos novas coisas, em detalhes milagrosos. Por isso desconfio daqueles que amam tudo e todos os filmes, sabem tudo, viram tudo. Eu vi pouco e amo algumas coisas que era capaz de defender com a minha vida. A isso eu chamo defender o mundo com face humana. Amar não muitos, e sempre, é tambem uma arte que muita gente não aprendeu nem cultivou. Depois não se queixem.

Ontem vi parte de A Tempestade, de Shakespear. Obra de uma riqueza de cortar a respiração. Dizer que é genial é dizer pouco ou nada. A Tempestade é o testamento de Shakespear. Tem uma magia que nos deixa pasmados: a arte, o malabarismo do enredo, as pequenas historias dentro da historia geral são so possiveis na mão de um grande, muito grande. E fica-nos um sorriso algo triste: escrever isto foi possivel, porque não é possivel hoje?

Como se depreende estou a ficar mesmo fixolas. 2007 vai ser bom e estamos a começar bem. Em Salt Lake City apeteceu-nos ler um pouco de Dante e fomos a livraria de livros em segunda mão. Apetecia-nos ler trechos do Paraiso. So tinham o Purgatorio em varias edições e uma do Inferno. Bem, disse ca para comigo, compra-se o Purgatorio porque de Inferno temos o mestrado ou mesmo o doutoramento. Assim sinto-me um pouco no Purgatorio, que é coisa temporaria mas necessaria. Ja me cheira a Paraiso e tudo, sinais por todo o lado. Paciencia vai ser preciso. Mas se ela tudo alcança.... Esperança, portanto, no Purgatorio.

 

José Nobre Madeira

música: On The Road Again, Canned Heat
sinto-me: No Purgatorio
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Tabloides de Paris

Chegado a Paris ha poucos dias do Utah. Mentir se disser esse lugar comum de que jà tenho saudades. Mas posso dizer que deixei là amigos, gente simpatiquissima, pessoas do mais civilizado que me foi dado conhecer na vida. Desde gente ligada à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias até a pessoas que nem sei se são da referida Igreja.

Os senhores Bart Stringham e filhos, Ivan da Bulgària; Eider Moon; Patricia, mexicana e taxista; Singh, sik da India e tambem taxista; um taxista chines de Hong Kong que me fez uma rapida massagem na mão; Dr Brent Larson, dentista que dialoga o tratamento connosco; James Seeley que tem sangue portugues e que tenta falar e consegue na lingua de seus antepassados; meu Deus, tanta gente que so me senti so e tristinho uma noite de dores de dentes.

A Igreja é mais organizada do que alguma vez imaginei, com gente disponivel, voluntarios de todas as idades que envergonham os reformados da Europa. Boas livrarias ( B & N, Sam Weller's Bookstore ), discotecas, galerias ( Williams Fine Art, por exemplo ), a Family History Library, etc, etc,etc.

Mas o mais tocante aconteceu-me num optimo restaurante no 10 andar do edificio Joseph Smith. Uma empregada muito simpatica enquanto falava tocava-nos ao de leve na roupa ou na mão. Eu na minha estupidez disse logo: temos gente latina! E perguntei qual a sua origem, porque não era todos os dias que nos tocavam delicadamente enquanto falavamos da ementa. Que não, que era americana e de origem nordica, se não me engano; que tinha lido que na China as criancas abandonadas são visitadas por pessoas caridosas, que as visitam e as tocam, que se não são tocadas entristecem e morrem. Esta-se sempre a aprender. A moça chama-se Camilla.

E lembrei-me de que enquanto trabalhei no Lar Santa Maria Goretti tive sempre imenso cuidado em não ter contacto fisico por minimo que fosse por medo em ser mal interpretado. Sorria, brincava um pouco em liguagem verbal mas tocar é que não me aventurava. Pois desconfiava que aquelas moças tinham ja uma errada a patologica noção e aprendizagem da linguagem corporal incluindo contactos sexuais. Se calhar fiz mal, tive demasiado medo. Mas foi na verdade assim.

Tragicamente, quando não ha tratamento adequado, estes casos acabam mal com erotismo degradado e triste, lares desfeitos, filhos ao Deus darà, abuso sexual "consentido", escravidão, manipulação para alegria da familia tambem doente e por vezes proxenetas. Conheço casos, infelizmente.

Para acalmar a curiosidade de alguns leitores digo desde jà que nao me baptizei na referida Igreja. Mas que é provavel que o venha a fazer, porque ser mais injusticado do que fui na Igreja em que estou baptizado é dificil. Ou impossivel. E baptizei-me com cinco anos sem saber nada do que estava a fazer. Não tem a ver com o meu pedido de casamento, tem a ver com um minimo de honra e verdade. Sei o bastante da igreja de Jesus Cristo para saber o que irei fazer ou não. Nao fui minimamente pressionado. As portas foram-me abertas e nunca, mas nunca se misturou alhos com bogalhos. A actividade missionaria daquelas moças e moços é impressionante. Não brincam em serviço, estão mais informados do que muito clero da Igreja Catolica que namora o poder mesmo que criminoso. E que tem um lider que faz perguntas estupidas a Deus. Basta, é caso para dizer.

Mas ha algo que a igreja de Jesus Cristo tem que meter na cabeça: a minha tradição é catolica. Nao me obriguem a rezar somente do vosso modo, ou a detestar imagens de Maria ou de Santos que admiro. Bem sei que acima deles està Cristo, Deus e o Espirito Santo. Sei isso tudo mas o que eu peço quando faço oração é a sua intercessão, nada mais. Nao vamos arranjar discussão acalorada e entornar o caldo, como se diz. Caso me baptize até poderei ir a missa de vez em quando a igreja catolica ou ortodoxa. Mas sem qualquer compromisso. Ter sido traido ja eu fui, vergonhosamente traido, na Igreja em que estou baptizado é que não volta a acontecer. Não quero mais nada com essa gente que às vezes quase vomito. Mas não posso esquecer que ha por la muita gente boa, mesmo santos e santas, mal comandados por quem tem negocios criminosos com o poder. E vamos mudar de assunto que estou a ficar enjoado.

 

José Nobre Madeira

sinto-me: Com vomitos
música: Leaving on a Jet Plane, Peter, Paul & Mary
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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007

HE HAD A DREAM FOR US ALL

 

 

 

No dia 15 de Janeiro celebra-se o dia de Martin Luther King, dia em quase todos os serviços públicos nos USA estão fechados.

 

Aprendi a dar importância aos santos, a estudar um pouco essa gente mais ou menos santa. Há pouco tempo alguém me dizia em Paris que cerca de duzentos jesuitas, com base em Bruxelas, chamados les Boulangistes, se dedicam ao estudo dos santos. E é provável que alguns sejam excluidos da lista oficial e outros incuidos.

 

S. Martinho é um santo muito popular em Portugal. Fala-se do Verão de S. Martinho e de que no dia de S. Martinho vai-se à adega e prova-se o vinho. É também a altura das castanhas e geralmente é dia de paródia e algumas bebedeiras. O poder local em Angra do Heroismo chegou ao ponto de oferecer castanhas de borla e creio que também bebidas alcoólicas.

 

O Verão de S. Martinho é um periodo de tempo em que no Inverno faz surpreendentemente bom tempo. Porque foi isso que aconteceu quando S. Martinho deu a sua capa a um desgraçado que encontrou. Pelo menos em Portugal é um santo querido pelo povo pelo bom tempo que lembra, pelas castanhas e pelo vinho novo que se prova. Vinho muito fraco em qualidade baixo teor alcoólico. Mas dá para intoxicar.

 

De Lutero sei pouco. Fez uma revolução religiosa e deu origem à Reforma ( tradução e divulgação da Bíblia, não obediência a Roma, melhor, não obediência à Roma daquele tempo, tal como ele a via: corrupta ). E provocou a Contra-Reforma, largamente dominada pelos jesuitas.

 

Trágica guerra religiosa na Europa com milhões de mortos e, se não me engano, até episódios de canibalismo por fome extrema. E Lutero pregou numa das igrejas que mais gosto em Roma: Santa Maria del Popolo.

 

É obra, mas na verdade o grande ideólogo do protestantismo, do protestantismo em boa parte triunfante no mundo de hoje, é Calvino com o seu trabalho em Geneve. O melhor museu do protestantismo está lá e tudo começou, curiosamente na Catedral de S. Pedro na mesma cidade.

 

Dos reis sei que o inicio das dinastias podem ser por eleição por representantes ou aclamação pelo povo. Com a benção da Igreja que não perdia tempo e estava envolvida na politica, realpolitik, até às orelhas. As dinastias eram, assim também divinas e por isso inquestionável a sua legitimidade.

 

O tempo elegeu M. L. King como um dos maiores vultos do Século XX. Foi tambem o Tempo que veio a dar-lhe razão tendo ele sido um mártir e provavelmente um santo. Nas escolas da Europa que se julga muito liberal e civilizada, devia estudar-se o que foi a luta dos direitos cívicos na USA e evidentemente estudar M. L. King e outras figuras igualmente importantes.

 

Mas é M. L. King que é na verdade a grande figura que emerge porque era um cristão muito corajoso, escrevia bem, mesmo muito bem ( e ele escrevia todos os seus discursos e com poucas emendas ). Depois alguns media ajudaram assim como muitos brancos por convicção, vergonha ou medo.

 

A actual paz na Europa ( que muito beneficiou do esclavagismo ) no que toca a bom relacionamento entre raças, cairia por terra se tivesse somente cinco por cento da sua população negra. Pagava para ver. Não porque os brancos europeus sejam piores ou melhores que os americanos brancou ou negros, mas porque o racismo é, digamos assim, natural.

 

Vamos supor que vivo num bairro multirracial, que tenho até um vizinho negro com quem me dou razoavelmente bem e de repente aparece um tipo todo verde com a sua familia. Todos verdinhos. Primeiro pergunto ao meu vizinho negro que ideia foi essa do filho dele vender a casa a gente verde. Tambem estou preocupado, diz o vizinho negro, acredite que não sabia de nada, só sei que a vendeu por bom preço, agora percebo... Na verdade verdes, todos eles, e se telefonassemos à policia? Quem vai telefonar é o senhor e depressa, porque foi o esperto do seu filho que vendeu a casa...Desculpe, o senhor tem alguma razão, malta verde e ainda por cima com dinheiro, têm dois mercedes, é malta do tráfico de droga...E se são doentes?... Vou já telefonar ao meu filho. Então vá lá depressa que eu telefono à policia. Até já, ponha o seu filho mais novo a vigiar essa gente. Acabou a paz na nossa pacifica rua....

 

Este diálogo aparentemente absurdo podia continuar on and on, com humor e ter vários fins. Dependeria do humor, da vontade, etc. O diferente sempre causou estranhesa, rejeição, depois ódios.

E sabem que mais, se algum dia me dissessem nos USA que seria de bom tom, ou obrigatório por lei, ter empregados negros, ou vermelhos, ou verdes, ou brancos, eu responderia que sim senhor, mas nada de malta com demasiada arrogância ou complexos, porque tudo começa um pouco aí.

E é evidente que nada de segregação racial nos transportes ou escolas, etc..Trabalhar lei.

 

Mas o pior é que o dinheiro segrega, e de que maneira, a arrogância do dinheiro. E quantas vezes mal ganho, injustamente ganho, mesmo roubado.

 

Só a tragica ilusão de Rousseau é que deu origem à ideia de que nascemos todos com vontade de andar a dar beijinhos a brancos, negros, amarelos, vermelhos e verdes. Que o que causa este drama é a sociedade imperfeita em que vivemos. A sociedade é na verdade imperfeita e tem que trabalhar com politicos, com leis, etc.. E depois cada um de nós recusar o racismo que em nós vive. Alguém me dizia que o racismo institucionalizado na USA estaria na mesma ou pior, mas que de pessoa a pessoa as coisas estavam a melhorar.

É no fundo também a mensagem de muitos filmes como o filme Grand Canyon, de Laurence Kasdan. Se bem percebi. Lutarmos todos e todos os dias contra o racismo que tem raizes malignas no nosso coração.

 

Quem realizou esse excelente filme, com C. Hepburn, S. Tracy e S. Poitiers que diz tudo ou quase tudo?

 

 

M. L. King escreveu uma frase que hoje mesmo descobri e que acompanha a minha nova agenda, é a frase do dia de hoje, dia em que Martin Luther King faria anos se fosse vivo, 15 de Janeiro.

 

Escreveu ele: Se um homem não descobriu algo porque valha a pena morrer, então é porque não está feito para viver. ( If a man hasn't discovered something that he will die for, he isn`t fit to live. )

 

Martin Luther King disse tudo nesta frase.

 

 

 

 

José Nobre Madeira

 

 

 

 

 

 

publicado por cartaberta2 às 12:08
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Domingo, 14 de Janeiro de 2007

DA CORAGEM E DE OUTRAS COISAS

Aquilo que mais admiro nos americanos é a coragem.

Se, por desgraça ou necessidade, qualquer país da Europa se visse envolvido em guerra, seria impossivel verem-se na TV desse país os programas, debates e imagens que aqui passam todos os dias. Entrevistas com gente a favor e contra a guerra no Iraque, cenas filmadas em hospitais militares, debates e artigos com mais ou menos qualidade. Mas o debate é vivo, o povo americano não está anestesiado. Impensável na Europa. Qual a razão desta radical diferença? Boa pergunta para a qual não há resposta fácil.

Thomas L. Friedman, por exemplo, escreveu um notável artigo sobre a actual situação no Iraque no The New York Times do dia 12 de Janeiro. Na Europa um artigo com esta coragem era bem capaz de dar lugar a crime político. Para vacinar. Larry King entrevista familiares de soldados, feridos, civis com um profissionalismo e humanidade que são de assinalar. Fala-se abertamente da guerra sem histeria ou medo. E não é preciso ser bruxo para se adivinhar quem anda a dormir mal, mesmo muito mal.

Dei conta que a opinião pública americana era maioritariamente a favor de moderação no Iraque em Agosto de 2006. Numa viagem entre os dois aeroportos de Londres meti conversa com médico texano, de poucas conversas mas que me disse abertamente que o actual Presidente estava acabado. ( Quando um texano com alguns tiques WASP disse o que disse, está tudo dito ). Em Paris outro texano, de Huston, contou-me uma muito engraçada que tem a ver com o sistema politico presidencial. Primeiro ano é para tomar o pulso da casa, segundo ano para preparar a acção, terceiro ano tentar fazer alguma coisa mas com cuidado porque o último ano é para preparar a reeleição. Mas contou a história sem rir, que é mesmo assim. Eu confesso que me fartei de rir. Era noitem mesmo em frente de Notre Dame onde o cidadão americano tentava tirar umas fotografias. Depois falou do futuro politico dos USA e disse nomes. Mas sem grande calor, o americano tipico sente que tem é que contar consigo mesmo, ser responsável, os políticos ás vezes não são.

Mas no meio deste drama, que só os irresponsáveis querem que acabe mal, uma coisa deve ser dita: no Iraque tiveram lugar eleições. Só possiveis dada a presença dos americanos. Não foi por acaso que certa imprensa desvalorizou o facto histórico. Depois as coisas avolumaram-se e a actual situação é preocupante mas vai resolver-se.

O povo americano tem os mecanismos democráticos mais que suficientes para superar a actual crise. Vai uma aposta?

Se há diferença na politica americana é o ela ser em boa parte feita por gente que é ou pretende ser verdadeira. Gente com caracter, de palavra, como se diz. E a opinião pública é feroz, não poupa ninguém. Não há pais no mundo em que o presidente seja mais respeitado e ao mesmo tempo quase insultado. Isto tem a ver com a tradição politica americana, não tem a ver com mais nada. Vamos lá a ver se consigo vender o meu peixe.

Ele há a lei e ele há a tradição, coisas distintas mas igualmente poderosas, quase sagradas. E creio que algumas tradições são tão poderosas que quando feridas dá lugar mesmo a crimes.

Joseph Smith, profeta e fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, com a sua atitude de praticar a poligamia desencadeou ódios terriveis que acabou com o seu assassinato. Ninguém se preocupou em perguntar às suas esposas se viviam felizes e se ele seria bom marido. Não, Joseph Smith era um criminoso perigoso porque quebrava a tradição. Suspeito bem que se não fosse isso os Mormos nunca teriam tido as perseguições que tiveram. Perseguições que, diga-se em abono da verdade, a referida Igreja não utiliza na sua actividade missionaria.

Mas quero deixar aqui uma mensagem simples e aue poderia dar muitos e bons frutos. Se as Igrejas tiverem algum cuidado em respeitar a tradição a sua actividade missionária tem um acrescimo muito positivo. Se ao fazer um novo templo em pais maioritáriamente católico, ou de tradição católica, a Igreja de Jesus Cristo Dos Santos dos Últimos Dias, por ewemplo, tivesse o cuidado de colocar um sino, um só sino que fosse, estava a respeitar a tradição. E as pessoas gostavam de ver o sino, tambem sinal do Cristianismo.

Assim a referida Igreja é uma Igreja de ruptura, não tem na verdade nada a ver com o credo protesstante em geral, em certas questões está mais proxima da Igreja Católica Romana e teologicamente mais próxima dos teólogos ortodoxos e dos Padres da Igreja. Os seus membros tem uma grande preparação teológica e são temiveis na argumentação. Mas infelizmente está pouco atenta à tradição das outras culturas e mantem vincadamente a tradição americana para onde quer que vá.

Só prejudica, desta forma, a sua notável actividade missionária. E é pena.

José Nobre Madeira

publicado por cartaberta2 às 11:59
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Tabloides

Ontem, pela primeira vez na vida estive a trabalhar com microfilmes em biblioteca no Utha: Family History Library. Microfilmes copiados dos Arquivos da Universidade de Coimbra. Registos da Igreja de S. Pedro na localidade de Lourosa, concelho de Oliveira do Hospital. Registos de baptizados, casamentos e obitos de quase todo o seculo XVIII e primeiros anos do seculo XIX. Uma maravilha. Lourosa era uma paroquia grande que compreendia Pinheirinho, Casal de Abade, Cabeçadas, Digueifel, Campo e outras. O lugar de Barril aparece em 1809 para batizado ou casamento em Lourosa, mas pertencia a Vila Cova sub Avô, como era chamada naquele tempo. Onde eram feitos os enterros.  Ainda sem a ponte sobre o rio Alva que foi concluida em 1888.

Dizia o meu professor de filosofia, comentando uma obra que fazia furor nos anos 60, que gostava de saber quantas horas tinha o autor passado em pesquisas de arquivos. Bem dito. Eu em quase quatro horas perdi-me e deliciei-me ao mesmo tempo. Uma senhora dizia-me que este trabalho pode quase transformar-se num vicio.

E ainda por cima ficamos muito curiosos. Encontramos duas Marias Madeira, uma de Sandomil. Um tal Joseph Madeira foi muitas vezes testemunha em batizados. O vigario Jacinto Alvares tomou conta da paroquia quase cinquenta anosm, um pouco antes do sismo de 1755. Para o fim dos registos a sua bela letra piora, esta idoso e ficamos um pouco tristes e de ele não continuar com a sua belissima escrita. No inicio de seculo XIX faz um registo escrevendo: mil setecentos digo oitocentos. Claro que estou a cometer erros na pesquisa e hoje não estava o senhor Moon para me ajudar. Andei um pouco perdido, perdido mas deliciado.

Quem quiser passar dias e dias a estudar a sua familia pode crer que vai ter prazer verdadeiro, do muito bom. E boas noticias: os registos das paroquias portuguesas são excelentes. Não se percebe porque e que ha entidades que dificultam as microfilmagens do passado. Não me foi pedido nada para horas de trabalho, tive ajuda e simpatia de çuas pessoas. Podem iniciar a pesquisa em Portugal, basta contactarem pessoas ligadas a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias. Existem milhares de centros espalhados no planeta. Depois, com calma podem vir a Salt Lake City e não irão arrepender-se. Tragam os skies e boa disposição. Um unico contratempo, a falta de carro ou receio em conduzir. Mas ha taxis optimos. Hoje dei por mim a falar com um senhor bulgaro, de Sofia. e a cavaquear sobre literatura. Não acreditam? Ja sei estou doido.....

E dei uma da minha graça, informei os sabidos em pesquisas da família que um colega meu de Israel me disse em Cambridge que os melhores estudos genéticos são feitos seguindo as linhas maternas. lá dizem as mulheres em Portugal: Os filhos da minha filha meus netos são, os outros serão ou não. Em Espanha, talvez mais em Castela, o último nome é o materno. E o senhor Moon informou-me que nas povoaçoes portuguesas raianas é  tambem assim. E até há pouco tempo só podia ser considerado judeu aquele cuja mãe fosse judia. A Espanha terá sido influenciada pelo mundo judaico?

Estudar estas coisas com calma e alguma ajuda.

Um xizão para a Paulinha Santos que me mandou uma história girissima de um politico com S. Pedro.

Dedico estas linhas aos missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Mas é de assinalar que já estamos no Reino. Santos dos Primeiros Dias, portanto.

 

música: The Times They Are A-Changing & Forever Young Dylan
sinto-me: Cinco Estrelas
publicado por cartaberta2 às 12:37
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Doentinho

A noite foi um pouco agitada. Gente muito responsável e amiga ajudou-nos quanto a um problema dentário e estamos a tomar antibiótico. O colega foi excelente e fizeram um trabalho impecável, mas como o trabalho foi complicado e evidente que deixa algum desconforto e um pouco de dor. Depois temos  ainda uma pequena infecção no cotovelo que também incomoda. Assim, ontem à noite, no quarto do hotel onde toda a gente nos trata bem, tivemos medo de morrer. De, por uma razáo estúpida qualquer ( subita alergia a medicacao, infeccao generalizada, septisemia, etc. ), morrermos num quarto de hotel. Creio já ter escrito que Albert Camus escreveu um dia que lhe seria indiferente morrer num quarto de hotel. A frase ficou-me na memória. Mas fiquei ontem a saber ( mas um conhecimento na carne e no intelecto ao mesmo tempo ) que morrer só num quarto de hotel é o ponto mais alto de abandono a que se pode chegar. E sofri e tive medo. Fundamentalmente por duas razoes: porque tenho uma filha menor e porque estou apaixonado por alguém. E isso doeu-me tremendamente e desejei viver. O amor tem destas coisas, coisas humanas. Fraquezas, se preferirem.

Acordei um pouco melhor e mais confiante quanto ao futuro abri a TV. Uma noticia fez com que viesse quase a correr para o computador para escrever o que vivi. E simples: Um soldado numa guerra polémica ( e quase todas as guerras o são ) matou-se para salvar a vida a varios colegas. Não era um desperado, era um excelente soldado e amigo dos amigos e familia.

Dei por mim a pensar que muitos de nós, se envolvidos num teatro de guerra, em condições dramáticas e fazendo parte de grupo de soldados coeso, era capaz de fazer o mesmo.

A grande dádiva dos gregos à humanidade é o terem pensado sobre os limites, a necessidade da moderação, de limites. E em tudo. Quando se ultrapassam os limites ocorre a tragédia. Mas onde estão os limites? Como defeni-los? Pela lei? Boa pergunta. O também algo trágico é que é precisamente nos limites, nas fronteiras, que ocorrem mais conflitos. Então, em que ficamos?

No Amor.

Vou tomar o antibiotico porque o cotovelo incomoda um pouco.

Jose Nobre Madeira

sinto-me: Doentinho
publicado por cartaberta2 às 11:35
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